
As obras escultóricas de Diego Pallardó trazem ao observador uma elevada inquietação. Propõem perguntas sobre o sentido da existência de cada um e da coletividade como um todo. Essas duas esferas se aproximam e se afastam de diversas maneiras, dependendo da cultura e do entendimento que cada uma tem do mundo.
“Sujeito 3” e “Coração” sugerem, para o artista, vestígios de uma civilização perdida. Funcionam como documentos de algo que não existe mais, como palavras de línguas indígenas que, se abandonadas, decretam a morte de uma cultura, mas, quando utilizadas, trazem o renascimento de tradições e formas de entendimento do cotidiano e do transcendental.
Por meio de materiais como pregos e da técnica da soldagem, surgem formas que trazem um sentido poético para a árdua existência. Se “Sujeito 3” se concentra no indivíduo como aquele capaz de criar uma linguagem e, por meio dela, se comunicar com seus pares e com o mundo; "Coração" congrega a força de entender o que fomos, o que somos e para onde vamos.
É no coração que reside a energia que torna cada povo único, seja em sua fala, cultura ou qualquer expressão. O órgão mais importante do corpo funciona como metáfora da própria vida, seja do indivíduo ou de uma nação, sempre na perspectiva de que a arte não copia o mundo, mas o interpreta para que ele possa ser mais e melhor pensado e conhecido.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.