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Multiplicidade de sentidos

Multiplicidade de sentidos
07/09/2019

A escultura em chapa de aço pintada intitulada “Diálogo”, de Kurt Federico Ruger, faz refletir sobre o papel da arte para falar de desigualdades. Quando se pensa na questão cultural e social, cada língua e cada cultura apresentam um mundo próprio, repleto de possibilidades de interpretação e de pensamento.

Gramáticas e vocábulos diferentes apresentam distintas conotações e valores. Não se trata apenas de distintos pesos e medidas, mas de pensar que cada universo linguístico traz relações próprias e variadas. Pensar a cultura de maneira monolítica e unificada é, em qualquer contexto, um grande equívoco.

Quando surge a palavra diálogo, começa a se entender que é necessário saber ouvir e ver para poder pensar e falar melhor sobre qualquer tema e assunto. O mergulhar em uma cultura não é um processo simples. Traz elementos complexos e diversos caracterizados pela humildade de ver e entender o outro como um pedaço de si mesmo.

Ao se considerar o diferente como alguém distante, abre-se a porta da desigualdade. Nesse sentido, a leveza da escultura de Kurt Federico Ruger nos conecta com todas as possibilidades de interpretação da chamada realidade. Sua leveza e delicadeza alertam para o risco da incomunicabilidade, que está em fechar portas para a multiplicidade de sentidos, passando a ter uma visão monolítica do mundo.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.