
A atividade artística exige, acima de tudo, uma certa disciplina. Não basta ter talento e achar que as exposições e o reconhecimento virão naturalmente. É na prática cotidiana do ofício e no rigor no enfrentamento com o próprio trabalho que as possibilidades vão progressivamente se abrindo. Nascido em Avaré, SP, José Eduardo Grassi revela a qualidade da inquietação artística desde os seus primeiros quadros. Sua busca por resultados cada vez mais significativos se dá pela maneira como se dedica a obter dos materiais o máximo possível. Seja nas naturezas-mortas, que realiza tanto com espessas camadas de tinta a óleo ou com pinceladas mais curtas e simétricas, estabelecendo uma atmosfera mais delicada, ou em cenas de mulheres se banhando próximas a uma cascata ou na imagem de um artista no ateliê, há o mesmo rigor. Fernando Pessoa diz que “O Homem é o tamanho do seu sonho”. José Grassi traz em si a dimensão da pintura como uma expressão autêntica de um estado de espírito perante o mundo, presente ainda na reprodução de um dos muitos auto-retratos de Rembrandt colada atrás da porta do seu ateliê. Nessa imagem, está condensada o futuro do jovem artista de Avaré: adensar a sua pintura, feita de massas e pinceladas seguras em direção a uma construção visual caracterizada pelo estudo do ato de pintar em si mesmo, deixando o assunto em segundo plano. Afinal, como os mestres ensinam, a grande arte surge, no fundo, sempre da capacidade de levar aquilo que se tem de melhor dento de si mesmo para a tela. Somente assim é possível gerar um impacto que cative o observador à primeira vista e em gradativas visões mais aprofundadas.