
O universo feminino e as flores são os dois temas aparentes das pinturas de Zilda Barradas. No entanto, o que é colocado em jogo é algo mais denso, que está além do assunto. A representação que a artista atinge constitui um mergulho no sentido mais denso de criar uma mulher ou um ramalhete.
Não poucas vezes, essas figuras se fundem numa mescla de ousadia e técnica em que a liberdade do gesto ganha progressivo espaço. A musculatura da bailarina ou as figuras de costas apresentam a mesma questão visual: a relativização do feio ou do aprazível e a vacuidade dos padrões pré-determinados de beleza.
A artista discute como o corpo da mulher se articula no espaço, seja com pernas cruzadas, de biquíni ou em outra posição qualquer. O importante é observar como se pinta aquilo que se vê e, nesse quesito, são imagens maduras que surgem com a intensidade de quem faz do ato de lidar com pincéis, tintas e telas um autêntico ofício.
A sutileza do ser mulher se articula como a principal discussão de Zilda Barradas. Seus trabalhos são construções em que as figuras metaforicamente estão sempre de costas, pois, mesmo quando a face está aparente, guardam em si os mistérios, a sedução e o devaneio que toda mulher comporta tanto na arte como na vida.