O poder da multiplicidade
A escultora Virginia Sé apresenta em seus trabalhos plásticos o poder de oferecer uma intensa diversidade de formas e soluções construtivas. Tal característica, que muitos podem ver como um problema a ser combatido, trata-se de sua principal arma perante o desafio da arte de estabelecer uma relação harmônica com o mundo.
Na multiplicidade, existe a coerência da maneira de encontrar expressões pessoais. As constantes torções nas linhas ascensionais, seja nos trabalhos mais figurativos ou abstratos, por exemplo, apresentam um mesmo desejo de verticalidade, igualmente presente nos arcos e portais, ora mais explícitos, ora mais sugeridos.
Mesmo nos volumes mais compactos, em que existe maior massa de material, manifesta-se a presença de um fluir de linhas que busca a leveza e de uma força que empurra as esculturas para adiante, como se fossem movidas por um fluxo vital de grande dinamismo e poderosa energia.
Existe, de fato, um permanente desejo criador que torna cada nova escultura uma peça a dialogar com a artista como desafio plástico. Virginia Sé, com os seus olhos atentos e mente alerta, capta na realidade circundante a sua matéria-prima. Como uma antena parabólica em constante funcionamento, recebe e transmite.
Isso significa um movimento criativo constante, longe das fases definidas que tanto agradam a crítica e aos livros de história da arte, mas muito próximo da necessidade de uma produção visceral e contínua, seja sob a égide das linhas retas de uma metrópole como São Paulo ou das curvas essenciais de um valente corpo feminino.