A senhora do tempo
A matriz da poética de Suzana Garcia está no amor ao desenho e ao gesto. O que realmente lhe interessa é a transparência e os jogos de luz e sombra que se insinuam em suas obras, sejam elas paisagens de cidades como São Paulo e Santos, ou de pessoas célebres, como Pelé, Marilyn Monroe e o ex-presidente Juscelino Kubitschek.
O processo criativo tem como uma de suas bases fotografias. Elas são escolhidas pelo conjunto plástico e por seu poder de gerar memórias históricas. A evocação do passado convive, assim, com interferências do presente. Está ali a história já feita, cristalizada, e a que o tempo todo dia reconstitui.
A atitude presente em cada trabalho se manifesta com carvão e tinta acrílica num processo de reconstrução da fotografia. Há assim um viés contemporâneo, no sentido de mescla de técnicas e de temporalidades. O importante é apreender naquilo que se vê como resultado final um processo de construção mental de uma imagem.
Há um vivenciar das fotos que perpassa a obra realizada. Como uma senhora dos tempos, Suzana Garcia desenvolve os temas abordados como um território de transparências e linhas plenas de sentido e vibrações, num profícuo diálogo entre o seu diferenciado olhar arquitetônico, o profundo conhecimento técnico e a delicada visualidade.