O homem na multidão
Um dos grandes dilemas do ser humano contemporâneo é a vida em metrópoles. A grande questão que se coloca é a do indivíduo perante a coletividade. Como manter a essência de si mesmo diante de grupos progressivamente massificados pela influência dos meios de comunicação?
O caminhar na cidade ergue a problemática do que significa de fato estar só ou acompanhado. Nascida em Salto, SP, em 1944, a artista Sueli Martini, com a sua série de Homens Cibernéticos, estabelece um diálogo visual com a realidade em que esse assunto é tratado sem dor ou melancolia.
O predomínio das cores quentes, já presente em suas obras anteriores, que tinham como tema plantas frutíferas brasileiras, aponta exatamente para o dinamismo que caracteriza o andar entre a gente que torna cada cor uma faceta de uma personalidade, um sentimento de integração no mundo.
As telas da pintora se valem da idéia de multidão e da presença do anônimo. Suas figuras, com cabeças e troncos circulares, incluem, dentro dos corpos, elementos geométricos, como retângulos, alusão a edifícios, rádios e televisões. A massa amorfa da multidão se cristaliza como um conjunto – e muitas vezes esquecemos que são pessoas que integram esse todo.
As imagens de Sueli Martini indagam plasticamente como vivemos numa sociedade em que somos cada vez mais apenas números sujeitos a uma convulsão de idéias, atitudes, referencias e objetos que vêm de fora para dentro e vão se ajustando de modo a nos conformar enquanto seres humanos, trazendo interrogações sobre a prática da arte e a convivência urbana e globalizada contemporânea.