A liberdade gestual
O artista plástico Simon Abuhab começou a sua trajetória, na década de 1980, no grupo denominado Orelha de Van Gogh, que incluía também Francisco Cimino, Rubens Parada Quiroga, Esmeralda Buainain, Milton Pereira e Gilberto Macrina. De lá para cá, seu trabalho foi amadurecendo.
Manteve, porém, uma característica primordial: o visceral. O artista acredita naquilo que pinta e o faz de uma maneira expressiva. Solta a mão sobre a tela e constrói, em acrílica sobre tela, a sua interpretação do mundo, que inclui uma expressiva visão fantástica.
O ato de pintar ganha então muita força, principalmente quando se trata de dar aos rostos humanos o espaço do suporte. Eles surgem de maneira levemente fragmentada, destruída e diluída, quase como ectoplasmas que se desmancham e sugerem uma misteriosa familiaridade fantasmagórica.
Simon Abuhab não demonstra receio de colocar em imagens aquilo que sente, vê ou pensa. Por isso, suas telas comportam uma liberdade gestual que conquista rapidamente. Não existe a preocupação de ser comedido ou politicamente correto, mas de ser sincero, acima de tudo, com si mesmo. Daí a força que cada trabalho comporta.