A poética do movimento
O principal fascínio da estética de Paollo Sollari está na forma como concebe o movimento. Sua pintura se caracteriza por uma progressiva desconstrução das formas em direção à captação do instante em que a velocidade atinge seu máximo. Muito mais importante do que a figura retratada é a sensação de transformação.
Carros e pilotos de competições em altíssima velocidade servem como assunto de um dos maiores dilemas da existência humana: a metamorfose constante. Sob a imagem aparente de um carro de Fórmula 1 está a reflexão sobre o poder de sedução que a passagem do tempo exerce sobre o ser humano.
Há em Paollo Sollari o desenvolvimento de um conceito em forma de pintura. O carro ganha uma dimensão espiritual e sedutora, não como um ser em si mesmo, mas como um objeto de desejo. Não se trata de entender o esporte como uma competição apenas, mas como uma maneira de pensar a própria arte.
O desafio está em resolver como as cores e formas podem ser trabalhadas esteticamente para representar o ato de se mover. Essa pesquisa, em termos de pintura, conduz a uma fragmentação do real e a captação de momentos, progressivamente próximos da abstração.
Sollari incursiona pela arte com a desenvoltura de um piloto que conhece muito bem uma pista. Isso lhe permite realizar cada vez mais experimentações pictóricas rumo àquilo que realmente deseja: dar forma de imagem ao movimento, instaurando uma poética que congela, com lirismo, os caminhos humanos construídos com rapidez.