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Paco

Paco

A materialização da vida

Esculpir é uma arte essencialmente física. Ela lida com o prazer da modelagem e com o calor da fundição. Paco realiza seu caminho na exploração do corpo humano. Estabelece assim o seu elo com o mundo e com si mesmo, num processo de busca de parâmetros artísticos cada vez mais elevados.
  Encontra sua melhor solução plástica quando abandona as formas hieráticas, duras e rígidas, partindo para a expressão da volúpia do existir. Esse apelo aos sentidos se evidencia nas cenas de pares em posições sensuais, mas também nas obras em que a construção plástica dos corpos ganha o centro do processo criativo.
  No ato de se contorcer, por exemplo, o corpo mostra toda uma mecânica de movimentos musculares que pede o olhar do anatomista. A arte, porém, não se realiza na mera reprodução do real, mas sim na forma de expressar o que se vê. Por isso, a partir da observação em sessões de modelo-vivo, Paco capta o que prefere.
  Isso significa vislumbrar a diferença na mesmice. A saga do escultor se constrói não tanto no captar um gesto único, mas na essência de representar instantes decisivos, em que a alma pode ser retratada na posição de um corpo à procura da conquista de um espaço. Assim, a escultura não se basta na manifestação estética. Precisa transmitir vida.
  Paco busca atingir a alma no ato de representar corpos. Seu desejo ultrapassa o erótico para atingir o universal numa expressão individual. Isso exige observar um contorcer do corpo, seja numa figura agachada ou num casal num momento de prazer, com sentidos atentos para a difícil tarefa do escultor: materializar o dom de viver.