O desenho como matéria-prima
Para alguns artistas, o desenho é tudo. Trata-se da matéria-prima da qual se alimentam para a construção de sua poética visual. As imagens do corpo são uma referência obrigatória, principalmente pela prática do contato com o modelo vivo. Dali surge um universo infinito de possibilidades estéticas.
Esse é o caso de Mônica Leite. Nascida em Irecemápolis, SP, em 14 de outubro de 1962, iniciou um curso universitário em Química, mas o abandonou pela licenciatura em Educação Artística, com habilitação em Artes Plásticas, na Faculdade de Belas Artes de São Paulo, que concluiu em 1996.
Editora de arte da Revista USP, encontra, enquanto artista plástica, uma expressão diferenciada na forma como trabalha com o desenho e a pintura. Sua linha não se limita a reproduzir o corpo humano, mas lhe dá novas possibilidades expressivas, em movimentos rotativos de grande poder de comunicação com o observador.
O que encanta em cada trabalho de Mônica é o seu talento em revelar a capacidade do desenho de não somente reproduzir a figura humana, mas dar-lhe uma dimensão renovada, enérgica no traço, mas acolhedora na concepção. Há na maneira como ela trabalha rostos e corpos, algo que a arte foi perdendo ao longo do século passado: humanidade.
A produção de Mônica nos motiva à contemplação, porque está permeada da sutil habilidade de todo artista de oferecer ao público uma linha de pesquisa e de abordagem estética, mas não por isso repetitiva. Cada obra surge com um novo olhar do poder de fascínio que o corpo exerce pela sua capacidade intrínseca de surpreender continuamente.
Mesmo quando os desenhos e pinturas não mostram rostos e se concentram no torso, o que se vislumbra em cada imagem é a alma humana. A posição e o movimento do corpo surgem como metáforas adequadas da visão de Mônica Leite de um mundo pleno de emoções, em que o ser humano, com seu sentimento, tem o papel de protagonista.