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Milton Takada

Milton Takada

Poder derrisório

A arte que conserva traços da figuração sempre constitui um desafio para o criador. Por um lado, pode-se tornar uma mera reprodução do referente, caracterizado pelo esmero técnico, mas sem a introdução de um elemento questionador. Por outro, existe o risco de não se ter a habilidade suficiente de atingir o resultado almejado.
  O artista plástico Milton Takada não corre esses riscos. Ele se vale de seu conhecimento visual para estabelecer um universo marcado pela visão crítica do cotidiano, principalmente da corrupção e do poder.  No entanto, esse assunto não pode se tratar de uma prisão.
  O tema deve servir como ponto de partida para uma conjunção de esforços no sentido da utilização de uma poética em que o amor à imagem e ao detalhamento, sobremaneira na construção dos fundos e das partes formadoras de imagem, possa ser, em si mesma, uma poderosa expressão interpretativa do sentimento da existência.
  A devoção à minúcia e o poder de comunicação da cor, presentes não só nas telas como nas esculturas, geram pessoas ou animais plenos de um desejo de interferência crítica na realidade. Não se trata apenas de lidar com a existência da pintura enquanto recurso plástico, mas de atingir a essência do ser humano por meio da arte.
  Ter essa questão como norteadora de uma visão de mundo demanda um adensar do próprio fazer. Milton Takada pode, a partir da educação visual progressivamente adquirida, caminhar para o desenvolvimento de uma concepção derrisória que o conduza por alternativas cada vez mais ousadas da própria produção.