Questionamento constante
Se existe uma palavra que define bem a arte contemporânea, ela pode ser experimentação. É justamente nesse universo que a produção de Milton Mota navega. Seu tema essencial está no questionamento daquilo que está ao nosso redor. Sempre alerta, aponta como aquilo que julgamos ver pode ser outra coisa.
Os limites entre realidade e representação se evidenciam nas fotografias com a inserção de objetos reais, como calcinhas, torneiras, cachimbo ou um cabo e plugue. O bi e o tridimensional dialogam numa profunda discussão das fronteiras entre o que tem valor de uso e o que é simbólico.
Nascido em Santo André , SP, em 1954, o artista realiza ainda objetos e pinturas nos quais se aproxima do concretismo. O jogo de linhas, formas e cores torna-se importante como pesquisa. As chapas de acrílico, vinil, fios de cobre e dobradiças reforçam um experimental entendimento do espaço.
A questão fundamental de Milton Mota está numa visão da arte que se afasta de qualquer conformismo. Há uma inquietação que o aproxima da arte óptica muitas vezes, mas, acima de tudo, coloca seu trabalho numa perspectiva de gerar dúvidas sobre o que está instituído, relativizando tudo e todos.