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Militão dos Santos

Militão dos Santos

A alegria de viver

 
  Uma das maiores dificuldades de se debruçar sobre a arte dita naïf, primitivista ou ainda de matriz popular é que ela se apresenta como aparentemente simples. No entanto, é justamente esse um dos maiores enganos das críticas feitas a pintores que expressam a sua visão de mundo com autenticidade.
  Esse é o caso de Militão dos Santos. Nascido em Caruaru, PE, em 1956, sua principal característica está na intensidade das cores. Elas são utilizadas sem medo, estabelecendo uma atmosfera de ampla vivacidade em que surge uma realidade pictórica de contagiante explosão de sentimentos.
  Temas populares, que o artista conhece bem, como feiras e festas, são levados para a tela de modo a despertar no observador o que ele tem de melhor. Existe uma recuperação da idéia de que a realidade pode ser harmoniosa e da valorização de um paraíso perdido pelo cotidiano urbano em que as pessoas vagam solitárias.
  Um diferencial da obra está na forma de pintar as copas das árvores. Elas explodem como fogos de artifícios. São talvez um dos principais pontos a atrair o olhar do público. Auxiliam de maneira determinante a criar um espaço em que o sonho é essencial no sentido de devolver as esperanças à humanidade de uma vida melhor.
  Em linhas gerais, a técnica de Militão dos Santos nos brinda com um primeiro plano de figuras humanas; um segundo, com a elaboração de uma linha de construções, principalmente casarios populares; e um fundo marcado pela existência de colinas e o revoar de aves.
  A pintura do artista consegue assim articular um universo de sensações em que a alegria de viver é fundamental.  Ela se manifesta pela mencionado uso das cores e por composições em que o equilíbrio visual está associado à força de um trabalho que se caracteriza pelo amor à vida sobre todas as coisas.