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Mário Lúcio Sapucahy

Mário Lúcio Sapucahy

A fala das araucárias

Quando se pensa nas araucárias, um botânico logo as classifica como um gênero de árvores coníferas na família Araucariaceae, enquanto um ambientalista alertaria logo para o desaparecimento delas e dos ecossistemas que as rodeiam. No entanto, quando se trata de uma exposição de fotografias, a questão plástica não pode ser deixada de lado.
  O trabalho de Mário Lúcio Sapucahy não se contenta apenas em ser um descritivo do universo da árvore. Há toda uma questão poética que começa nas fotos de estúdio do pinhão, semente que se forma dentro da pinha e vai se ampliando até chegar à araucária e ao seu entorno.
  Essa construção de um olhar sobre o objeto estudado mostra que a exposição não trata friamente a árvore, mas a faz falar. Dá-lhe uma posição dentro do ambiente e a torna um elemento vivo, que discorre sobre si mesma devido ao seu aspecto majestoso e à imponência de seus galhos que crescem para as laterais.
  A exposição precisa ser vista não apenas como a documentação visual de um ambiente, mas como a construção lírica de um olhar. As fotos mostram uma visão progressivamente educada ao longo de uma trajetória profissional para obter o máximo possível do elemento enfocado.
  A exposição Araucária mergulha nos infinitos verdes da Mata de Pinhais, nas possibilidades plásticas do pinhão enquanto objeto a ser fotografado e na grandiosidade do ambiente em que a árvore está mergulhada, inclusive pelas distintas intensidades da luz ao longo do dia, do amanhecer ao cair da noite.
  As araucárias de  Mário Lúcio Sapucahy são a fresta de uma porta para conhecer  melhor um universo natural que sofre com a devastação ambiental que assola o país. Acima de tudo, porém, constituem uma caminhada plástica madura dirigida por um fotógrafo que escolhe seu foco e o explora com sensibilidade, dando voz a uma árvore e deixando-a brilhar em toda a intensidade que lhe é própria e peculiar.