Existenciais chuvas
O universo da fotografia é um dos mais misteriosos porque reúne diversos aspectos da arte contemporânea. Primeiro, constitui um exercício constante de recorte de um olhar sobre um todo. Segundo, demanda o conhecimento técnico de usar os mais variados recursos para atingir o resultado desejado.
Nascido em Andradina, SP, Márcio Ramos percorre diversas trilhas visuais, mas uma delas tem uma lírica toda especial. Apresenta nela uma poética que se sustenta pela maneira de retirar da chamada realidade aquilo que ela tem de mais mágico: a possibilidade de uma leve deformação, que introduz e deflagra um mistério.
A série sobre a chuva revela a sensibilidade da construção de uma atmosfera impressionista em que a própria vida é relativizada. É instaurado um espaço dominado pelas perguntas e incertezas sobre aquilo que se vê. Qualquer verdade absoluta cai por terra perante o reino sem fronteiras do indagar.
Embora Márcio Ramos percorra veredas como a da natureza, a dos retratos e a de outras aventuras visuais, é com as suas chuvas que leva a pensar sobre o sentido da vida e do mundo. Ao querer saber sempre mais sobre tudo, mostra que o nada dele se aproxima. E ter consciência disso valoriza cada instante que um pingo de chuva encerra.