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Marcelo Gandhi

Marcelo Gandhi

A plenitude do grafismo

Não existem meias palavras para falar da arte de Marcelo Gandhi. É o tipo de artista que incomoda e desperta, portanto, paixões ou repulsas igualmente significativas. Muitas vezes essa postura impede que o seu trabalho seja observado no conjunto como uma expressão visual plena de impacto e contra qualquer conformismo.
  Seja nos desenhos, trabalhos em pastel, gravuras, monotipias ou performances, conserva-se uma marcante percepção do corpo enquanto residência de toda uma postura estética. A maneira como ele lida com diversos materiais indica uma visceral relação com qualquer estereótipo e uma inquietação onipresente.
  Surgem assim manifestações profundas, fortes e densas, tanto na figura da coluna vertebral como do órgão sexual masculino, numa desconfiança constante dos dogmas religiosos, substituídos pela crença no poder de sua arte de comunicar ao observador que a vida existe para ser intensamente apreciada.
  Marcelo Gandhi se expressa com um grafismo puro e pleno, presente na autenticidade do traço e na perene declaração visual de um sentimento de estar no mundo que nada aceita passivamente. A polêmica está em sua arte e em seu ser como vigorosa mola a impulsionar os seus gestos plásticos nos mais variados suportes.