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Marcela Tiboni

Marcela Tiboni

Representações da pintura

Existe toda uma geração marcada pelo estigma da “morte da pintura”. Tantas vezes repetida – e nas mais variadas situações –, a frase ganha o poder de uma espécie de manifesto a questionar e estimular os criadores. A reafirmação da pintura por meio de outras linguagens enriquece o debate e coloca a artista plástica Marcela Tiboni num patamar diferenciado. 
  Paulistana, nascida em 1982, ela responde essa inquietação, já há alguns anos, num trabalho que lhe vem valendo elogios de pesquisadores e artistas como Angélica de Moraes, Leda Catunda e Paulo Trevisan, que vêem nela a discussão do universo da pintora por um constante revisitar do passado por meio da fotografia e da performance.
  Considerar a pintura uma representação leva a uma série de ações que inclui engolir tinta, pintar-se e um diálogo permanente com a técnica de modo a buscar novas possibilidades para o pintar, mas sem destruir a tradição. Pelo contrário, é buscando referenciais e lendo-os de novas maneiras que atinge a maior qualidade de seu fazer artístico.
  A motivação de Marcela precisa sempre estar se renovando para que seja mantido um alto nível de realização. Esse desafio somente pode ser vencido se houver uma pesquisa e conhecimento cada vez maior da pintura. Ao se enfronhar nela, a questão que mobiliza a artista pode se multiplicar em trabalhos cada vez mais sólidos.
Como bem alertava o poeta luso Camões, o engenho e a arte são essenciais em qualquer jornada poética. Progressivamente, o trabalho de Marcela Tiboni se propõe a conquistar seu espaço no universo plástico. A pintura que está em suas mãos ou rosto, por exemplo, é uma faceta dessa pesquisa que pode ser ampliada e desenvolvida em cada nova obra.