Expressionismo feliz
O vocábulo expressionismo está ligado ao conceito de um movimento de fora para dentro que retrata uma visão de mundo. Geralmente associado ao pensamento alemão, o movimento de pintura que leva esse nome surge geralmente marcado a gritos de dor e de guerra num mundo dilacerado.
Pintor gaúcho radicado na cidade de São Paulo, Luiz Cavalli estabelece um expressionismo feliz. Não há nele a agonia européia perante um mundo em destruição ou marcado por cicatrizes. Sua poética é a da vida. A cor é levada para a tela com ampla liberdade, como mostra a maneira como trata a figura humana, sempre com intensidade na cor e no delinear das formas.
Existe uma forma carinhosa de ver o ser humano. Mesmo quando ele é destruído pela quantidade de cor e pelo gesto largo, há umas pinceladas de humor e uma visão das pessoas crítica e derrisória como a alertar sobre o caráter finito da vida e a inutilidade da vaidade num mundo em que tudo é cada vez mais efêmero.
Ao tratar de veículos como automóveis, bicicletas, lambreta ou carrinhos com vendedores de cocada e outros produtos alimentícios, a arte de Luiz Cavalli cresce, pois sua pincelada expressionista feliz se adapta naturalmente ao movimento circular e à busca de uma resposta plástica que o dinamismo desses veículos propõe.