Corante
preto, originário da China há mais de dois mil anos, preparado com
negro-de-fumo (
pó-de-sapato)
coloidal e empregado especialmente para
desenhos e
aquarelas, o nanquim é constituído de nanopartículas de
carvão suspensas em uma solução aquosa.
Essa descrição pode parecer fria, mas é necessária para conhecer a matéria-prima de Lú Terra, artista plástica que tem no nanquim seu principal meio de expressão. É por intermédio dele que se comunica com o mundo, desenvolvendo uma obra que tem diversas facetas.
Há os desenhos de imaginação, definidos pela artista como sendo de cunho surrealista. É, porém, na reprodução de cenas clássicas de grandes filmes, seja os de Charles Chaplin ou
2001: Odisséia no espaço, de Stanley Kubrick, e, principalmente, de suas fotos ou de fotógrafos amigos que a artista desenvolve boa parte de sua atuação.
Existe na sua poética uma devoção pelo nanquim. Geralmente utiliza apenas preto e branco, mas, às vezes coloca detalhes em cor. Isso demanda o acurado processo de decidir o que deseja valorizar. É justamente na seleção das imagens que leva para o nanquim e na cuidadosa realização que o trabalho de Lú Terra se concretiza.