Compartilhando sensações
A produção escultórica de Luana Taylor parte do universo das sensações. Além do domínio técnico, há nela um princípio fundamental: o da mágica da modelagem. É no instante em que coloca as mãos na argila que define o que deve ser feito e como será desenvolvido.
As etapas posteriores, que incluem todo o processo de fundição e acabamento, são igualmente importantes, mas, para a artista, tratam-se de momento de refinamento de um sentir tornado objeto, de um instante de emoção corporificado em metal, eternizado no espaço.
O erotismo, que acompanha a maioria de seus trabalhos, provém da fascinação com o corpo feminino e da percepção de suas curvaturas e tensões no ato sexual e em tudo que está antes e depois dele. Sentimentos de prazer e abandono são assim articulados numa proposta de compartilhar sensações.
A lassidão de uma figura isolada, sem o parceiro, portanto, reúne a sensualidade própria de uma satisfação gerada pelo ato de imaginar o que está sutilmente velado e sugerido. O homem ausente torna-se, assim, onipresente pelo potencial de gerar prazer na figura feminina e no olhar do observador.