Rumo à abstração
Conta-se a história de um artista plástico que, convicto de que fazer arte abstrata era muito simples, tomou o pincel, olhou a tela em branco e, possuído de um profundo vazio de idéias, sentiu-se impossibilitado de criar. Pensando que se tratava de um momento de falta de inspiração, decidiu abandonar a idéia.
Dias depois, optou por enfrentar novamente o desafio. Tomou o pincel com coragem, olhou os tubos de tinta, a paleta e lançou-se a empreitada. Não passou dos primeiros traços. Percebeu então que a autêntica arte abstrata – aquela feita com profundidade existencial e impacto estético é tarefa para poucos.
Quem está habituado a ver os cavalos, paisagens e figuras humanas do artista plástico José Gomes Mota vai se surpreender com seus trabalhos abstratos. Há neles uma densa humanidade, obtida pela maneira como as cores são dispostas. Estabelecendo conflitos de almas ou harmoniosas e plácidas combinações.
A experiência de Mota confirma o que grandes mestres do abstrato já ensinaram há muito. Deixar de lado a figura não significa fazer qualquer coisa, mas atingir a essência, o sublime da alma humana. Para isso, o que importa não é a pesquisa de elementos concretos ou abstratos em si mesmos, mas sim desenvolver técnicas e procedimentos plenos de densidade existencial. Assim, um resultado igualmente instigante, como ocorre nas pinturas abstratas de Mota, vem à tona.