A liberdade de criar
Dar-se a liberdade de criar. Essa é o diferencial do artista plástico J.A. Sua discussão central está na capacidade de construir, num misto de imaginação com marteladas sobre o ferro, portões, grades, gradis, bancos, cadeiras, luminárias, enfim, os mais variados objetos, que mesclam o saber artístico com o utilitário.
Aliás, a oposição entre esses dois fatores é fruto de um raciocínio elitista que revelam algum desconhecimento da própria história da arte, já que algumas das peças mais belas do barroco e do rococó europeu, por exemplo, tinham uso tanto nas mesas de refeições da corte francesa como nos rituais litúrgicos.
Jorge Azevedo, conhecido como J.A., revela o seu talento pela forma como desvenda o espaço. Isso é especialmente marcado nos portões, escadas e diferentes tipos de corrimão. Não há neles as linhas retas rígidas do pensamento clássico. Pelo contrário, seu reino é o das curvas e dos entrelaçamentos, dos encontros e desencontros das linhas.
Tanto em construções geométricas como no pensamento que surpreendentemente rompe a previsibilidade do olhar, o artista trabalha com o ferro numa concepção de diálogo com o material. Ele o respeita e o transforma, moldando-o para atingir seus propósitos.
Cada elaboração de uma peça tem como base a intuição aguçada e o conhecimento técnico. É preciso saber o que fazer e como deve ser feito num processo que não admite negativas. Ser livre significa não conhecer fronteiras, pesquisando para ampliar os limites numa mescla de talento, criatividade e perseverança.