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Ivo Perelman

Ivo Perelman

Entre o impulso e a razão

O talento de Ivo Perelman como saxofonista dispensa comentários. Os elogios ao seu trabalho são superlativos e merecidos. Sua obra plástica, no entanto, é muitas vezes atrelada a esse talento como se fosse um apêndice, não um mecanismo autônomo de expressão.
  Suas obras em gesso sobre tela em preto e banco conquistam pelo menos por dois fascínios que se interpenetram: existe, por um lado, a questão do impacto visual das manchas sobre o suporte; e, por outro, embora não menos importante, estão as texturas ora delicadas, ora mais espessas do gesso.
  O conjunto encanta também pela representação muito próxima ao universo artístico oriental, marcado pelo conceito de que o instante é mais essencial do que as noções de passado e futuro; e pela reflexão permanente sobre a presença e a ausência de cor como o mais notável mecanismo da pintura.
  O ritmo que se observa nas composições de Ivo Perelman é o de alguém que conhece o espaço. Encontra nele a matéria-prima que lhe possibilita dar vazão ao impulso de um processo visual intuitivamente caracterizado pela liberdade expressiva no que tange à criatividade, mas racionalmente contido pelo rigor na busca de uma manifestação cada vez mais próxima da essência. É nessa união entre o excesso e a razão que a obra do artista cristaliza seus momentos mais significativos.