Um plácido oásis de reflexão.
A pintura de Inha Bastos proporciona um mergulho nas formas arredondadas. Quanto mais se conhece o seu trabalho, mais se verifica uma caminhada em direção ao aconchego da circularidade. Isso se faz presente tanto nas mulheres propriamente ditas como nas rodas de bicicleta, frutas, galinhas ou gatos.
A poética da artista baiana não é a da forma pontiaguda que agride, mas a daquela que acolhe. A fusão de rostos masculinos e femininos, num recurso que lembra clássicos da Renascença, aponta nessa direção, assim como os corpos, dispostos em diversos contextos.
Colocando perfume, lendo ou penteando o cabelo as imagens retratam muito mais que o universo feminino. Transpiram uma concepção de mundo regida pela harmonia e pela visão plástica das formas como uma sucessão de linhas e conjuntos tonais em que a agressividade não encontra espaço para a expressão.
O que interessa à pintora nascida em Itabuna é essencialmente o estabelecimento da possibilidade de um existir regido pelo signo da paz e do equilíbrio. Com suas cores pastel e sua atmosfera que convida ao silencio e à calmaria, atinge um oásis de reflexão, um lago plácido em meio ao turbilhão caótico contemporâneo de imagens muitas vezes desconexas.