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Ilka Lemos

Ilka Lemos

Poética da fragmentação

A fragmentação da sociedade contemporânea, tão visível nas grandes cidades, onde a velocidade se faz presente em todas as atividades, dificultando uma reflexão mais aprimorada sobre os fatos ou mesmo a contemplação dos detalhes, é uma das fontes poéticas da artista plástica Ilka Lemos.
No momento em que ela toma restos de telas e as utiliza para compor rostos e figuras decompostas, unidas pela sobre posição de materiais e pelo pensamento de dar uma personalidade a um mundo em que as individualidades vão progressivamente se perdendo.
  A raiz da poética desse trabalho de Ilka está na sua interpretação do fenômeno urbano e da forma como ela vê a arte como uma possibilidade de recompor os cacos da sociedade moderna. Ao trabalhar com restos de tela e dar-lhes uma nova dimensão, com seres que oscilam entre a carência e a agressividade, ela gera a sua leitura da contemporaneidade.
Isso significa entender a arte como uma possibilidade de resposta perante um incômodo real e cotidiano. Sua plasticidade está na forma como ela constrói “famílias” de degredados de si mesmo, que realizam um percurso de solidão e desespero como exilados da sociedade e de si mesmos.
O prazeroso é ver como Ilka Lemos equaciona esse universo. A contemporaneidade desse seres fragmentados está na exposição da trágica caminhada existencial humana. Os retalhos de telas se justapõem para acentuar que no ato de justapor  imagens cada ser pode reencontrar a si mesmo.