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Ieda Helal

Ieda Helal

Aquarelando orixás

A aquarela digna desse nome, trabalha com transparências e passagens de cor num exercício constante de sugestões. Eventuais figurações ficam em segundo plano perante o talento de construir uma poética pautada pela maneira de ocupação do espaço, num exercício que exige dedicação e aprendizado constante.
  Ieda Helal se vale justamente de apurada técnica para construir  sua série de sobre orixás da cultura afro-brasileira. Cada entidade é transformada em imagem por uma articulação visual que soma à aquarela elementos de poderoso valor estético, como folhas de ouro e de prata.
  O que mais chama a atenção na observação dos trabalhos é a maneira como eles articulam informações para construir a composição. A sugestão de objetos e formas comanda o diálogo entre mitos e personagens numa conjugação de forças espirituais e plásticas.
  Um aspecto a ser ressaltado é a maneira como a artista geralmente utiliza o centro do quadro. Existe a tendência de criar estruturas em que os vazios e cheios de tinta estabelecem elos entre o manifesto e o apenas sugerido. Nesse sentido, a valorização do branco do papel contribui para enriquecer cada obra.
  O maior mérito do conjunto está na habilidade de Ieda Helal de fugir do óbvio, que seria uma representação figurativa dos orixás ou a construção de um mero jogo de sensações e abstrações. Ela consegue, com extrema delicadeza, oferecer pistas sobre as divindades representadas, manuseando a aquarela com propriedade e sensibilidade.