Metrô em sinfonia
O metrô é um dos universos mais fascinantes das grandes cidades de todo o mundo. O de São Paulo ganha especial interesse, pois, ao contrário das instalações existentes em cidades como Buenos Aires, já carcomidas pelo tempo, a metrópole paulista oferece equipamentos que acompanharam a evolução do transporte coletivo.
O curioso é que os corpos que se movem rapidamente sobre os vagões em carreira cosmopolita apresentam em seus rostos mil e uma expressões e vincos, denúncias de uma cidade cada vez menos humana, mas – não por isso – menos fascinante e indagadora, em seu potencial nova-iorquino de atender todas as culturas, raças e tendências.
Paradoxalmente, os mesmos vagões que transportam cidadãos de quase todas a classes sociais para os mais variados destinos, à noite, quando estão parados, em processo de manutenção, surgem como animais jurássicos adormecidos a serem lavados e encerados por uma equipe dedicada de funcionários, sempre pronta a cumprir o papel que lhe cabe na selva coletiva paulista.
É desse jogo entre passageiros, máquinas e funcionários que se alimenta o trabalho do fotógrafo Hélcio Toth sobre o metrô paulista. Pessoas nas estações, tecnologia de primeiro mundo e funcionários que se esforçam para não deixar nada escapar, seja na manutenção, na limpeza ou na operação, constituem um todo indissociável em sua renovada relação cotidiana de trabalho.
Passageiros, com suas infinitas expressões; vagões, com seu tácito papel de transportar aquilo que a metrópole comporta; e funcionários, integrantes indispensáveis dessa tríade articulam a sua sinfonia diária ou noturna com a precisão de uma orquestra de música clássica. Com cada acorde em seu lugar, o metrô e as imagens dele registradas por Hélcio Toth prosseguem em sua sinfonia existencial e imagética. Falta saber para onde...