O acender de uma chama
A escultora Guita Lerner transmite, no conjunto de sua obra, uma densa espiritualidade. Seus trabalhos, oriundos da intuição no ato de modelar o barro e da discussão da melhor forma de dar o acabamento, oferecem ao observador várias possibilidades de leitura.
Uma das mais fascinantes é ver em cada peça uma maneira de expressar uma relação com o mundo. Em obras como Labareda, a união de um casal supera a questão do erotismo, da sensualidade ou da sexualidade. O que se faz presente é uma postura estética, marcada pelas linhas ondulantes que acompanham os corpos numa espécie de balé.
O encontro que a artista realiza é o de almas, o do diálogo entre a matéria fria, o bronze, e o calor da paixão e das emoções. Paulistana, oriunda da joalheria, passa a lidar com a escultura na década de 1980, e desenvolve um estilo próprio em que admira a experimentação formal e com materiais, como a cerâmica de alta temperatura.
A chama que impulsiona a escultura de Guita Lerner é a da própria vida. Cada peça comporta a idéia de que a união entre o físico e o espiritual precisa se realizar no calor tanto de uma obra de arte como na vida pessoal. Sem isso, a própria existência e o fogo divino que cada ser humano porta dentro de si perdem o sentido.