Geralmente qualificado de pintor, desenhista, gravador ou arquiteto, Gilberto Salvador prefere ser chamado de artista plástico. Afinal, a sua linguagem visual se reveste de uma poética marcada pela intersecção entre as artes. Há, em seus trabalhos, a expressão de um pensamento em que predomina o hedonismo criativo.
Isso significa ver toda oportunidade como um processo de construção em que o prazer precisa estar presente, sem cair em padrões repetitivos. O erotismo, que aparece em diversos trabalhos, como o álbum de litogravuras Cantárida, editado pelo autor em 1982, surge também na série
Ninfas.
Salvador oferece a sua visão de um tema clássico na cultura ocidental. A ninfa que mostra nesta exposição é uma combinação de elementos expressivos. Está lá o espelho, alusão à vaidade, à tela, que remete aos clássicos da pintura, uma fenda, clara alusão ao genital feminino, e um traço diagonal, que introduz um elemento surpresa.
Assim como as ninfas (do
grego nimphe, que significa “noiva”) são alvo da luxúria dos
sátiros, estando ligadas à beleza e à força fecundante da natureza, a peça exposta por Gilberto Salvador possui força vital. Sua obra se alimenta de um impulso visceral que o mantém vivo e se reproduz na forma dos mais variados objetos plásticos.