A natureza idealizada
Consciente ou inconscientemente, a natureza é a matéria-prima da maioria dos artistas. O desafio de levar a diversas técnicas as nuanças presentes numa paisagem, em termos de macrocosmo, ou dos detalhes de uma flor ou de uma folha, quando se pensa em dimensões microcósmicas, conduz a um progressivo aprimoramento técnico e plástico.
Descendente de japoneses, nascida em Pereira Barreto, extremo oeste do Estado de São Paulo, Fumie Makita, radicada em Mogi das Cruzes, apresenta a sua versão da natureza. As telas que ela pinta são marcadas por todo um jogo de composição e perfeccionismo que revela grande paciência e, acima de tudo, um processo de conhecimento de si mesma e de tudo que a rodeia.
As cenas que retratam o Pantanal ou a Chapada dos Guimarães evocam o universo da natureza da região, trabalhando principalmente a riqueza das cores, como os verdes, e as infinitas possibilidades do diálogo entre diferentes tonalidades a partir da discussão da cor que vem em primeiro plano.
A presença de colhereiros, tuiuiús e outros pássaros locais, além da bela flora, apontam justamente para um paraíso perdido, ora preservado, ora destruído pelo ser humano, num ato metaforizado pela presença de cercas vermelhas, que indiciam o poder de destruir entornos sem pedir licença a ninguém.
A pincelada segura e serena caracteriza boa parte dessa produção, em que a natureza apresentada é idealizada como projeto estético. Fumie Makita organiza esse universo e permite ao observador contemplar uma harmonia e um equilíbrio de que o mundo muito necessita.