Balé aquático
Os princípios básicos da aquarela são a água e as transparências que ela propicia. A artista plástica Eliane Consol se vale de ambas em suas obras expostas, em agosto de 2007, no Espaço Cultural InCor, em São Paulo, SP. O conjunto revela a habilidade de trabalhar com técnica principalmente quando se trata de compor universos de cor.
Das obras apresentadas, destacam-se os balés aquáticos, ou seja, os mundos plásticos em que os peixes e a água se misturam num ambiente em que o lirismo predomina. O jogo de cores torna essas aquarelas significativas como expressão do poder da técnica da artista de sugerir as mais variadas situações.
Há ainda na mostra barcos, marinhas, pássaros e paisagens, no quais, nos melhores momentos, a artista revela como a arte de deixar o branco do papel falar se torna um grande diferencial plástico. Saber respeitar o suporte torna-se então o desafio a ser enfrentado.
Certamente uma das maiores questões da artista está justamente na exploração da própria capacidade de deixar que os silêncios dominem as imagens. Trata-se de um progressivo movimento interno de aprimoramento técnico e mesmo espiritual, já que o saber calar-se às vezes é a maior magia para que o trabalho brilhe em sua força máxima.
Os balés aquáticos, nesse sentido, são de uma ampla riqueza, pois demonstram não só o domínio de uma técnica, mas, acima de tudo, a compreensão mais ampla do significado das aquarelas como uma realidade em que as luzes e transparências têm a função de criar mágicos espaços imaginários propiciados pelo contato da tinta com o papel.