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Daniel Patire

Daniel Patire

Um olhar humano

A questão indígena é uma das mais complicadas na sociedade brasileira. Perante o dilema de preservar as culturas e tradições dos primeiros povos que habitaram o Brasil ou integrá-los à sociedade branca, são travados infinitos debates com reduzidos resultados práticos infelizmente.
  Em julho de 2006, o jornalista e fotógrafo Daniel Patire teve a oportunidade de participar, a convite da Pró-Reitoria de Extensão Universitária da UNESP, do Projeto Rondon, atuando na cidade de Jordão, Estado do Acre, localizada próximo da fronteira com o Peru e a 450,3 quilômetros de Rio Branco, capital do Estado.
  Nessa jornada, Patire visitou uma aldeia Kaxinawá. Durante um dia conviveu com essa pequena comunidade que habita casas de madeira construídas como palafitas. O que poderia render um ensaio antropológico se torna um contundente documento vivencial.
  Trata-se de um retrato visual de um ser humano que gosta de gente. Isso fica evidenciado pela forma como suas lentes captaram as imagens. Olhar de crianças e adultos é o centro das atenções e, muito mais que um olhar sobre um modo de vida temos um panorama de uma maneira de viver.
  Os índios que Daniel Patire mostra são, acima de tudo, focados como pessoas repletas de contradições. Mais do que objetos de frio estudo de antropólogos preocupados em rechear seus currículos universitários, aparecem como seres humanos em busca de um futuro que lhes foi retirado e dificilmente será restituído.