artistas

Daniel Lannes

Daniel Lannes

Pintura como começo, meio e fim

Pintar não apenas desenvolver uma técnica que permita trabalhar com as cores sobre algum tipo de suporte, seja tela, lona ou algo menos convencional. A atividade exige o pleno entendimento de que criar uma imagem provém de um pensamento e de uma prática do olhar.
  Nesse aspecto, Daniel Lannes tem muito a oferecer. Ele concebe o espaço da tela como um universo em que o simbólico predomina. O fazer, em constante aprimoramento, é colocado a serviço de uma idéia sobre o que seja a arte e, mais especificamente, como uma leitura, plena de ironia, à sociedade de consumo.
  Nascido em Niterói, RJ, e marcado pelo conhecimento dos mestres da pintura em suas viagens ao continente europeu e da chamada Escola de Nova York, influenciada pelo expressionismo abstrato, no período que estudou nos EUA, apresenta na galeria Choque Cultural, em maio de 2008, seu olhar atento e crítico.
  As imagens que Daniel cria operam geralmente com objetos que são desejos de consumo, como um sapato, um anel, ligado à união dos amantes ou uma bengala doce, daquelas de parque de diversões. São objetos comuns que, enfrentados como matéria pictórica, ganham conotações inesperadas.
  Uma figura paradigmática é a do patinho amarelo –  muito presente nas banheiras infantis – colocado atrás das grades. O bom humor surge como um ataque ao consumismo e, principalmente, pela mescla da ingenuidade com a marginalidade e mesmo do amarelo do material plástico com a atmosfera sombria da cela.
  Daniel Lannes transforma o cotidiano que enxerga e do qual se apropria em pinturas. Constrói com seu olhar um microcosmo que dialoga com o macrocosmo no qual cada um de nós se insere. A ótica presente em sua contundente pintura, plena de referências, obriga a repensar o mundo consumista que nos rodeia e oprime.