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Damián Núñez De Arco

Damián Núñez De Arco

O objeto que fala

A arte tem uma característica digna de reflexão ao longo da história. Embora exista toda uma corrente que insiste em estudar gêneros, como  natureza-morta, paisagem ou retrato, os grandes momentos da criação universal são aqueles que extrapolam os assuntos e se concentram em novas formas plásticas de ver o mundo.
  As fotografias em branco e preto de Damián Núñez De Arco apontam nessa direção, pois, aparentemente, são apenas imagens de balneários como Mar del Plata, na Argentina. No entanto, o que merece discussão ultrapassa muito a questão geográfica. Está na maneira como o artista viu  pára-sóis e cadeiras.
  Ao mergulhar nas composições desses pára-sóis  fechados e com cadeiras sobre eles, conseguiu atingir uma metafísica dos objetos, reforçada por linhas diagonais instigantes ao mostrar tendas que dialogam com as ondulações de pequenos morrinhos de areia fofa que se formam ao longo da praia.
   A presença das sombras e dos céus contribui para articular uma poética em que os vazios são tão ou mais interessantes que os objetos. Damián Núñez De Arco estabelece a sua poética do espaço pelo desenvolvimento de uma estética plena de delicadeza que obriga a revisitar nosso olhar muitas vezes automatizado da realidade.