A alegria das festas populares
Uma das fascinações da arte popular está no fato de ela permitir trajetórias absolutamente autênticas, que estão além dos movimentos pré-determinados e reconhecidos pela arte ocidental. Cada criador vai descobrindo a sua jornada e traçando um percurso próprio, no qual certas referências podem ou não entrar.
Nascido em 27 de julho de 1967, em Pirenópolis, um dos centros da arte popular do Estado de Goiás, Claudimar Pereira exemplifica bem esse tipo de percurso. Numa seqüência que inclui as ocupações de ourives, ceramista, aquarelista e pintor, subsiste desde os 16 anos de sua atividade artística.
Trata-se de uma jornada por veredas difíceis, mas prazerosas, marcadas pelo amor às manifestações populares de sua cidade e do seu Estado. A estrutura de repetição de imagens evoca o mestre Antonio Poteiro, enquanto a forma de trabalhar cada uma delas remete a outro ícone da arte do gênero, José Antonio da Silva.
O resultado, porém, é próprio. Na combinação do uso das cores e figuras, ele encontra a sua linguagem. Os fundos coloridos, geralmente chapados ressaltam os personagens de cada tela e introduzem o observador no infinito mundo das festas populares e sua riqueza plástica e simbólica. Assim, Claudimar Pereira nos leva para o seu universo pleno de alegria.