O trabalho plástico de Cida Ornaghi introduz duas discussões, ambas de grande importância para os rumos da arte contemporânea: a colagem e a encáustica. É na junção de ambos que ela consegue seus efeitos visuais, que mesclam a criatividade da primeira técnica com a tradição da segunda.
De fato, quando se pensa em colagem, é inevitável lembrar que seu procedimento, por definição, relativamente moderno e bastante utilizado por artistas como Braque e Picasso, é juntar numa mesma imagem outras de origens diferentes. Seu mistério está na maneira de criar composições e usar materiais de diversas texturas.
Em contrapartida, a encáustica, nome derivado do
grego enkausticos, “gravar a fogo”, é uma das técnicas de pintura mais antigas que se conhece. Caracteriza-se pelo uso da cera de abelha como
aglutinante dos
pigmentos, gerando uma mistura densa e cremosa, resistente ao tempo, como mostram trabalhos gregos, romanos e egípcios.
O lado efêmero da colagem dialoga com a resistência da encáustica numa obra que impressiona pelo efeito plástico e gera no observador a curiosidade de saber como aquilo foi feito. As abstrações que surgem são um universo de combinações entre o aspecto de brincadeira infantil que a colagem evoca e o ressecamento das memórias que a técnica da encáustica gera.