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Roman J. Israel, Esq.

Limites
Roman J. Israel, Esq.
17/02/2018

O sempre visceral Denzel Washington concorre ao Oscar de Melhor Ator pela sua atuação em 'Roman J. Israel, Esq.'. Dirigido por Dan Gilroy, o filme conta a história de um advogado envolvido com os direitos civis americanos que trabalha em um pequeno escritório de Los Angeles. Quando o principal proprietário falece repentinamente, tudo muda.

 

E é nessa mudança que está a grandeza do filme. Muitas vezes ridicularizado por aquilo que pensa, por aquilo que veste e pela maneira como se comporta, o protagonista encontra um caminho para encurtar suas diferenças com o mundo. Utiliza informação privilegiada para ganhar muito dinheiro e ter melhores roupas e casa.

 

Paradoxalmente, enquanto mais se afasta do seu ideal, mais as pessoas o procuram e elogiam por aquilo que suas crenças representam. Assim, torna-se modelo exemplar de uma jovem líder negra e suas ideias sociais começam a ser incorporadas na nova empresa. A situação chega ao ponto de, como mostra o começo do filme, ele, perante o crime que cometeu, abrir um processo contra si mesmo.

 

A grande questão que o filme nos coloca está nos limites entre o que somos, o que achamos que somos e o que os outros acham que somos. É nessas encruzilhadas que o a obra se dá e, por elas, podemos pautar as nossas existências cotidianas. Encontrar um balanço entre essas três dimensões não é pouca coisa. Talvez seja uma missão impossível, tarefa digna de outro herói do cinema, Tom Cruise.

 

Oscar D'Ambrosio, Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais, atua na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp.