




Quando se pensa num retalho, pensa-se na parte de um todo. O seu grande fascínio está em verificar como esse fragmento acaba se integrando a um conjunto visual. A idéia de tomar uma imagem e vislumbrar a sua potencialidade na secção cria uma poética entre aquilo que é mostrado e o que se passa a sugerir.
Ao tomar temas característicos do Estado de Goiás, como a procissão do fogaréu, a casa da poeta Cora Coralina, cidades como Caldas Novas e Pirenópolis e manifestações populares, como congada e cavalhada, a artista plástica Helena Vasconcelos consegue realizar essa integração entre o que se vê e o que se sugere.
Sua solução visual inclui tanto os retalhos ligados à cultura popular, presentes, por exemplo, na chita, como a estética dos vitrais, em sua expressão de justaposição de fragmentos para formar um todo dominado pela força de uma imagem. Nesse aspecto, a forma de fazer é mais importante do que a imagem.
A poética dessa artista mineira radicada em Goiânia há mais de duas décadas está na sua capacidade de ver uma imagem e extrair dela o máximo que o seu repertório e histórico visual permite. No processo de fragmentar e de recompor, estabelece-se uma dinâmica em que os retalhos são somados para atingir um conjunto que encanta pela harmonia atingida.